DTG e DTF: a diferença que muda o resultado na peça
As duas rotas da impressão digital em vestuário, comparadas por tecido, cor da peça, toque, durabilidade, custo por peça e tiragem.

DTG e DTF são as duas rotas da impressão digital em vestuário, e é por isso que a mesma arte volta de dois fornecedores como duas camisetas diferentes: numa a estampa some ao toque, na outra dá para sentir uma película fina por cima. O que muda é o caminho que a tinta faz até o tecido, e esse caminho decide em que peça cada rota funciona. Abaixo, a comparação por tecido, cor da peça, toque, durabilidade e custo por peça, para você escolher antes de fechar o lote.
DTG: a tinta vai direto para dentro da fibra
DTG é a sigla de direct to garment — direto na peça. A camiseta entra esticada numa mesa e uma impressora passa por cima, jogando tinta à base de água no tecido, como faria numa folha de papel.
Três detalhes explicam o resto.
O pré-tratamento não é opcional. Antes de imprimir, a peça recebe um líquido pulverizado e prensado, que faz o pigmento parar na superfície da fibra em vez de afundar e espalhar. Sem ele, a arte sai fraca e com a borda borrada. Em peça escura é pior: é esse líquido que segura a camada de branco.
A tinta se aloja na fibra, não sobre ela. Daí vem a marca do DTG: toque macio, quase sem relevo. Em algodão claro, é o resultado mais próximo de uma peça tingida que a impressão digital entrega. Degradê, foto e sombra saem bem, porque não existe matriz limitando o desenho.
A cura vem depois. A peça passa por prensa ou túnel para evaporar a água e fixar o pigmento, numa faixa que costuma ficar entre 160 °C e 170 °C por um a três minutos. Confirme com o fabricante da tinta.
A contrapartida do DTG é o tecido. Tinta pigmentada à base de água foi feita para celulose, ou seja, algodão: quanto mais poliéster na peça, pior ela segura. Em dry fit e poliéster escuro há outro problema — o corante do tecido migra com o calor da cura e mancha o branco da estampa de rosa ou bege.
DTF: a arte passa por um filme antes de encostar na peça
DTF é direct to film — direto no filme. A peça só aparece no fim. São quatro etapas:
- A arte é impressa num filme PET: primeiro as cores, depois uma camada de branco por cima delas — é esse branco que, com o filme virado na prensa, encosta no tecido e fica por baixo do desenho.
- Ainda com a tinta molhada, o filme recebe um pó adesivo de poliamida, que gruda só onde existe tinta.
- O filme vai a um forno ou túnel e o pó derrete, numa faixa que costuma ficar entre 110 °C e 130 °C, até o adesivo ficar liso e brilhante.
- O transfer pronto vai à prensa sobre a peça, em geral entre 150 °C e 165 °C por 10 a 20 segundos. Depois se descola o filme, quente ou frio conforme o fabricante manda — isso muda o acabamento entre mais fosco e mais brilhante.
Trate todos os números deste artigo como ponto de partida: cada tinta, filme, pó e prensa têm a sua janela, e quem fecha o valor é o fabricante do material.
Daí saem três consequências. Não existe pré-tratamento, porque o adesivo já vem no transfer. Pega em quase todo tecido — algodão, poliéster, PV, dry fit, nylon, sarja —, já que a fixação é mecânica e não depende da química da fibra. E o transfer pode ser feito antes da peça existir: dá para prensar depois, inclusive em partes já cortadas, antes da costura. Isso conta quando a peça nasce do zero, com molde, corte e costura, como na confecção própria da KR7, nossa parceira.
O preço disso é o toque: a estampa DTF é uma camada fina por cima do tecido. Em arte pequena você quase não percebe; em arte grande e chapada, sente, e aquela área respira menos. Vazar o desenho ajuda.
Tecido: o critério que decide mais rápido
- Algodão 100% claro — as duas funcionam: DTG ganha no toque e no degradê; DTF, em cor sólida.
- Algodão escuro — as duas funcionam, com branco por baixo. Muda o acabamento, não a viabilidade.
- PV, poliéster, dry fit, nylon, sarja — DTF; o DTG perde aqui.
- Poliéster claro com arte grande — olhe antes para a sublimação, que entra na fibra sem deixar camada; a Sublimações, nossa parceira, tem peças prontas para sublimar.
- Felpudo, canelado pesado, muito relevo — sem superfície plana, o bordado resolve melhor.
Cor da peça: tudo gira em torno do branco
Em peça branca, o branco da arte é o próprio tecido aparecendo: a impressora não põe nada ali. Em peça colorida ou preta, antes das cores é preciso deitar uma camada de branco por baixo. Sem ela a arte fica transparente e encarde com o tom da peça — um vermelho vira vinho, um amarelo some.
Essa camada é o centro de quase todo problema em peça escura: consome bastante tinta, exige pré-tratamento caprichado no DTG, engrossa o toque e é o que mais pesa no custo. Ela também denuncia arte mal preparada — se o PNG tem sombra suave ou borda serrilhada, o branco acompanha e vira uma auréola clara em volta do desenho. Fundo transparente de verdade, ou vetor, evita isso.
Durabilidade: as duas duram, e as duas morrem do mesmo jeito
Bem executadas, as duas aguentam o uso normal de uma camiseta. O que encurta a vida da estampa é quase sempre a mesma lista: cura mal feita, amaciante, água quente, secadora, ferro por cima e atrito de alça de mochila.
Quando falham, falham de jeitos diferentes. O DTF racha em arte grande e chapada, dobrada muitas vezes no mesmo lugar. O DTG clareia aos poucos, sem rachar, porque não há camada para quebrar.
Custo por peça e tiragem
O valor muda com tecido, modelo, área e quantidade. Mas dá para dizer o que mexe no ponteiro.
- Número de cores não pesa — doze cores custam o mesmo que duas. É a maior diferença em relação ao silk.
- Área da estampa manda — o custo acompanha o tamanho impresso, não a complexidade.
- Peça escura custa mais — camada de branco e, no DTG, pré-tratamento.
- Não existe matriz — por isso o lote pequeno é viável, e o digital é a rota da tiragem curta.
- Volume alto com arte simples inverte a conta — passada certa quantidade, o silk dilui a matriz no lote e sai na frente nas camisetas personalizadas.
Quando a resposta não é nem DTG nem DTF
A KR7 trabalha com DTF, silk e bordado, e a recomendação sai do caso, não do cardápio:
- Logo pequeno em polo, boné ou jaqueta — bordado. É linha costurada, não tem o que descolar.
- Lote grande com logo de duas cores chapadas — silk, pela conta acima.
- Uniforme esportivo em poliéster, arte de manga a manga — sublimação, que não deixa camada sobre o tecido técnico. É o caminho dos uniformes esportivos.
O que a gente precisa saber para responder
Quatro informações resolvem quase todo orçamento: a arte (vetor ou imagem em alta, com uns 300 dpi no tamanho real da estampa), a composição e a cor do tecido, a quantidade com a grade, e onde a estampa vai e que tamanho tem. Se a peça ainda não foi escolhida, o guia de como escolher a camiseta da empresa fecha essa parte antes.
Com isso em mãos, a gente olha a arte, o tecido e a quantidade e indica a técnica que sai melhor — inclusive quando a resposta é silk ou bordado.
Manda a arte, o tecido e a quantidade e peça seu orçamento. A gente responde com a rota certa, não com a mais fácil de vender.