DTF ou silk: a conta que decide (cores, tiragem, tecido)
Silk cobra por cor e dilui no volume; digital cobra por peça. Veja onde está o ponto de virada entre as duas rotas.

DTF ou silk: quando você pede orçamento de estampa, recebe dois números que parecem falar línguas diferentes — um cai muito quando você aumenta a quantidade, o outro quase não se mexe. Não é margem do vendedor: silk e impressão digital cobram por coisas diferentes. Entender isso mostra onde está o ponto de virada entre as duas rotas e resolve a dúvida antes de comparar preços.
Este texto é sobre a conta, não sobre valores. Dá para explicar bem o que faz cada número subir ou descer — e com isso você chega no pedido sabendo pedir a coisa certa.
O silk cobra por cor, não por peça
Serigrafia é uma técnica de matriz. Para cada cor da arte, alguém grava uma tela: emulsão, exposição com o fotolito daquela cor, lavagem e secagem. Depois vem o registro — alinhar as telas para as cores caírem exatamente uma sobre a outra. Arte de quatro cores dá quatro telas e quatro registros.
Esse trabalho acontece uma vez só, antes da primeira peça sair. A décima peça e a quingentésima usam a mesma tela. Por isso o custo do silk se comporta assim:
- Custo de entrada alto — telas, fotolitos, emulsão, preparação e ajuste de cor. Existe mesmo que você peça 20 peças.
- Custo por peça baixo — depois que a mesa está montada, cada camiseta é um puxão de rodo por cor.
- Cresce com o número de cores, não com a quantidade — é aqui que a maioria erra a conta.
A consequência é direta: o silk fica barato por peça quando você dilui a preparação no volume. Vinte camisetas carregam a tela inteira nas costas de vinte unidades; quinhentas, nas costas de quinhentas.
O digital cobra por peça e por área
DTF e DTG, as duas rotas da impressão digital, invertem a lógica. Não tem tela, não tem matriz, não tem registro. Você manda o arquivo e a máquina imprime. A preparação é curta e o custo de entrada tende a zero — mas cada peça consome tinta, filme ou pré-tratamento, e tempo de prensa.
- Sem custo de entrada relevante — a arte é um arquivo, não um conjunto de telas.
- Custo por peça praticamente estável — a centésima peça consome quase o mesmo insumo que a primeira.
- Cresce com a área impressa — estampa de bolso e estampa que cobre as costas inteiras não custam igual: uma bebe muito mais tinta.
- Não cresce com o número de cores — foto, degradê e 200 tons saem pelo mesmo caminho de uma arte de duas cores.
Repare: os eixos que mais pesam são opostos. No silk, cor é caro e quantidade é barata. No digital, cor é de graça e quantidade não desconta.
Onde fica o ponto de virada
Junte as duas curvas e aparece um cruzamento. Abaixo dele, o digital sai melhor; acima, o silk. A posição exata muda de arte para arte, mas a direção é sempre a mesma:
- Poucas cores e tiragem grande — logo de uma ou duas cores em centenas de peças pende para o silk: a preparação vira migalha no unitário.
- Muitas cores, foto ou degradê — o silk precisaria de uma tela por cor, ou de retícula, e a conta estoura. O digital nem sente.
- Tiragem pequena, de poucas dezenas — não existe volume para diluir tela nenhuma. Digital, sem discussão.
- Zona cinzenta — duas ou três cores em algumas dezenas de peças. Aqui só o orçamento real decide, porque entram detalhes da peça e da agenda.
Os fatores que empurram a conta para um lado
Cor e quantidade dão a direção. Cinco detalhes decidem o desempate — e vale cruzar com os outros fatores que mexem no preço da camiseta, porque estampa é só uma linha do orçamento.
Peça escura
Em tecido escuro, a tinta precisa de uma base branca por baixo para a cor não sumir. No silk isso é mais uma tela — some ao número de cores. No digital, é mais tinta branca e, no DTG, pré-tratamento peça a peça. Peça escura encarece os dois lados, por motivos diferentes. Vale ler o que muda na impressão digital em peça preta antes de fechar.
Tamanho da arte
O silk quase não sente o tamanho: tela grande custa um pouco mais que a pequena, e pronto. O digital sente muito, porque a área impressa é o insumo. Arte gigante em 300 peças puxa o digital para longe.
Variação por peça
Se cada peça leva um nome, um número ou uma arte diferente, o silk perde por definição: cada variação é uma matriz nova. O digital não distingue — 50 nomes diferentes ou 50 iguais dão o mesmo trabalho. Por isso numeração e personalização individual quase sempre vão para o digital.
Prazo
Preparar telas leva tempo; o digital pula essa etapa e arranca mais rápido. Como faixa de referência, trabalhamos entre 3 e 10 dias úteis depois da arte aprovada, conforme a peça e a quantidade — confirme no orçamento, porque agenda de fábrica muda.
Tecido
O tecido não muda só o preço: muda a rota possível. Malha 100% poliéster tem risco de migração de corante, e peça 100% algodão não aceita sublimação. Veja que tecido aceita cada técnica antes de escolher o blank. Se a peça é dry fit, a rota provavelmente é sublimação, que tem outra estrutura de custo.
E a qualidade? As duas ganham em coisas diferentes
Custo não é o único critério. Silk bem executado entrega cor mais sólida e cobertura melhor em peça escura: camada de tinta mais espessa, pantone mais fiel e, em cores chapadas, um peso visual que o digital não imita. Para quem vive de um logo em duas cores exatas, isso importa.
O digital ganha em detalhe e número de cores. Degradê suave, foto, traço fino, sombra — tudo o que exigiria dez telas sai em uma passada, e a arte não tem limite de paleta.
O toque pede uma distinção que quase ninguém faz, porque as duas rotas digitais se comportam diferente. No DTG a tinta entra na fibra e o toque quase some. O DTF deixa um filme fino por cima da malha, colado com adesivo em pó: mais leve que uma chapada grossa de plastisol, mas perceptível ao passar a mão. DTF não é automaticamente mais macio que silk — contra um silk fino em base d'água, o filme costuma ser o mais presente dos dois.
Nenhuma das rotas é "melhor". São ferramentas para trabalhos diferentes — e às vezes a resposta certa não é nenhuma das duas: logo pequeno em polo pede bordado, peça de poliéster pede sublimação.
Por que perguntar isso a quem faz as duas
Uma oficina que só tem uma das técnicas sempre vai achar um jeito de dizer que a sua arte cabe nela. Não é desonestidade; é o que ela sabe fazer.
A KR7 trabalha com DTF, silk e bordado, e é confecção própria: molde, corte e costura acontecem na casa, em São Paulo, capital. Isso muda a conversa, porque dá para mexer na peça, não só na estampa — trocar o tecido, ajustar a modelagem, repensar o tamanho da arte. Às vezes a economia não está na técnica, está no blank.
DTG e DTF são as duas rotas da impressão digital; a gente olha a arte, o tecido e a quantidade e indica a que sai melhor — inclusive quando a resposta é silk ou bordado, e não digital.
Manda a arte, a quantidade e o modelo de peça: a gente devolve as duas contas lado a lado. Peça seu orçamento e traga o arquivo junto — acelera bastante.